A morte de Terezinha Nantes de Arruda, 54 anos, provocou forte comoção entre familiares e moradores de Sidrolândia, onde sua família é bastante conhecida. A vítima foi sepultada em Campo Grande, em uma cerimônia reservada, marcada pelo silêncio e pela dor de parentes que optaram por preservar a privacidade diante da repercussão do caso.

Terezinha é a 16ª vítima de feminicídio registrada em Mato Grosso do Sul em 2026. A investigação conduzida pela Polícia Civil aponta que ela foi morta dentro da residência onde morava, na Vila Bandeirantes, em Campo Grande. O principal suspeito é o marido, Joel Escócia Carvalho, de 59 anos, que, segundo a linha investigativa, tirou a própria vida logo após o crime.

A tragédia foi descoberta por um dos filhos do casal. Sem conseguir contato com os pais, ele foi até a casa da família e encontrou ambos sem vida. O Samu foi acionado, mas apenas constatou os óbitos. Em seguida, equipes da Polícia Militar, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), da Perícia Criminal e do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) iniciaram os procedimentos de investigação.

As apurações preliminares indicam que o casal enfrentava um processo de separação, circunstância que passou a integrar a investigação. Os laudos periciais e os depoimentos de familiares e pessoas próximas deverão esclarecer a dinâmica completa dos acontecimentos e subsidiar a conclusão do inquérito policial.

Durante a despedida, familiares preferiram não conceder entrevistas. O momento foi dedicado exclusivamente às homenagens e ao apoio mútuo entre parentes e amigos. A vítima deixou dois filhos e uma neta, que agora enfrentam o impacto da perda repentina.

O caso também surpreendeu moradores da região onde o casal residia. Pessoas que conviveram com eles relataram às autoridades e à imprensa que nunca haviam presenciado conflitos públicos entre os dois, o que tornou o desfecho ainda mais inesperado para quem acompanhava a rotina da família. Conforme a investigação, porém, a situação do relacionamento era diferente da imagem percebida pelos vizinhos, já que o casal estava em fase de separação.

Em Sidrolândia, a notícia repercutiu rapidamente. Mensagens de solidariedade foram compartilhadas nas redes sociais por amigos e conhecidos, que lembraram Terezinha pelo convívio com a comunidade e manifestaram apoio aos familiares neste momento de luto.

Ao lado da dor provocada pelo feminicídio, a família enfrenta mais uma perda em um curto intervalo de tempo. Recentemente, outro integrante da família também faleceu, ampliando o sentimento de tristeza entre parentes e pessoas próximas, que agora convivem com uma sucessão de acontecimentos traumáticos.

Com este caso, Mato Grosso do Sul chega a 16 feminicídios registrados em 2026, mantendo em evidência o desafio enfrentado pelas autoridades e pela sociedade no combate à violência contra a mulher. Especialistas reforçam que situações de ruptura de relacionamento podem representar momentos de maior vulnerabilidade para as vítimas, tornando essenciais as medidas de prevenção, acolhimento e denúncia.